Levantamento espeleológico e topográfico nas Gruta da Igrejinha e Gruta do Muro, Parque Estadual Serra de Ouro Branco e Monumento Natural Estadual de Itatiaia – MG

PESOB

O projeto de levantamento espeleológico e topográfico realizado em 2013 e 2014 pela Sociedade Excursionista e Espeleológica (SEE) teve como objetivo a elaboração dos Planos de Manejo do Parque Estadual Serra de Ouro Branco (PESOB) e Monumento Natural Estadual de Itatiaia (MNEI). As atividades visaram a prospecção e descrição de feições cársticas como: grutas, tocas e abrigos a partir da Ficha de Caracterização Endocárstica.

A Gruta Igrejinha, denominada pelo Centro Nacional de Cavernas (CNC) de MG-186, localiza-se na porção norte do Parque Estadual da Serra de Ouro Branco, entre a Estação Ferroviária de Hargreaves e a Comunidade Morro do Gabriel. Constitui a maior cavidade natural subterrânea desenvolvida em mármore dolomítico nos domínios do Quadrilátero Ferrífero, sendo a segunda maior do Brasil para esta mesma litologia (SBE, 2014), alcançando 932 m de desenvolvimento linear mapeados, e um salão de aproximadamente 2.540 m² (Zeferino et al, 1986).

A Gruta do Muro encontra-se no Parque Estadual da Serra de Ouro Branco. Essa caverna está cadastrada nos arquivos da SEE pela codificação alfa-numérica C01 e pelo CNC é reconhecida por MG-1943. Localizada na meia encosta, apresenta 100 metros de desenvolvimento linear mapeados com uma projeção horizontal de 112,10 metros e seu contexto litológico é constituído por metarenito foliado. A partir das características verificadas na gruta foi atribuído, em campo, sua importância ambiental, religiosa, cultural e paisagística.

Além dos levantamentos espeleológicos na Gruta da Igrejinha e Gruta do Muro (PESOB), foram realizadas prospecções de diversas feições cársticas da região, totalizando em 235 pontos de observações e a caracterização de 44 cavidades entre abrigos (22), tocas (08) e grutas (14), especialmente as Grutas Triurro e Estalagmite (MNEI).

A presença das cavidades, no âmbito das unidades de conservação (UC’s), justificam a continuidade dos estudos de espeleologia nessa região, para a execução tanto de mapas detalhados quanto para a caracterização físico-química da composição dos espeleotemas a fim de melhor definir e preservar seu conteúdo hidrogeológico.

Além disso, as cavidades foram destacadas como possuidoras de potencial arqueológico, e por isso, recomenda-se a continuidade dos estudos com ênfase nas cavernas: Abrigo T02, Abrigo T11, Gruta Triurro (Ponto D17) e Gruta Toboágua (Ponto T03).

Texto: Alice Mendes dos Santos

Fotos: Felipe Tomassini Loureiro